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Omnia in Unum

Omnia in Unum

AI

[caption id="attachment_662" align="alignnone" width="2000"]1_k-Jk0J4q3BVmdo3adW5IMQ Crédito: Chatbots Magazine[/caption]

A vida é feita de pequenos despertares. Cirúrgicos, eles chegam por vezes quando no sono saudamos a madrugada, ou no anoitecer desejamos a manhã. São silenciosos, por vezes impercetíveis. Mas no caminhar da vida, olhando para trás, podemos olhar para eles com um misto de alegria e paz, sorriso e gratidão, pelas experiências que deles obtemos no nosso viver.

Há cerca de duas semanas acordei especialmente motivado. De uma noite bem dormida nasceu a ideia de, dentro da minha esfera profissional, começar a abraçar as temáticas da Inteligência Artificial, do Machine Learning e do Deep Learning. Talvez possa parecer um cenário ridículo mas foi realmente assim que aconteceu, isto apesar de a ideia já me rondar há algum tempo, mais precisamente desde que comecei a sentir, com profunda acuidade, de que algo novo, em termos profissionais, deveria nascer em mim; isto apesar da minha ocupação atual. E bem vistas todas as situações, penso que será inevitável que os Sistemas Integrados de Gestão, independentemente do seu dimensionamento, caminhem para uma relação estruturalmente umbilical com, mais do que uma nova tecnologia, uma nova forma de encarar o trabalho, a sociedade, e o homem. Penso que a sua integração em novas visões multidisciplinares da empresa e da realidade sócio-económica contextual que a rodeia, definirá todo o nosso futuro. Depende de nós a forma como com ela lidamos, e depende nós a forma como ela se relacionará com o mundo onde nasce. Ainda assim, apesar de tudo, e numa visão futura, confesso que algumas dúvidas subsistem em mim sobre a forma como uma sociedade eminentemente tecnológica, lidará com a realidade filosófica deste momento, no momentâneo da humanidade face ao tempo...e quem bem me conhece sabe que neste pensamento, reside uma das raízes da minha motivação.

E explica-se assim o meu silêncio das últimas semanas. Porque quando inicio algo novo, são intensos os tempos dentro de mim, que me tornam num vazio intemporal que tudo absorve, num ideal utópico de saciedade que motiva sempre a aprendizagem real e diária.

Irracionalidades

[caption id="attachment_697" align="alignnone" width="1024"]Bahrain Grand Prix Qualifying Crédito: Desconhecido. Solicito informação.[/caption]

Todos temos as nossas pequenas irracionalidades. Admito-as pequenas, porque quando se engrandecem no nosso Ser, apenas deturpam um verdadeiro sentido de caminhada, desfigurando-nos face ao essencial. A minha pequena irracionalidade é, assim, a Fórmula 1, um desporto que acompanho desde 1982, e pelo qual sempre senti (e sinto) uma profunda atração. Da técnica à tática, da máquina ao homem, da telemetria ao tempo, cada domingo de Grande Prémio se consubstancia num fechar de portas ao que me rodeia, e calmamente relaxar em toda a dimensão destas provas, submergindo na emoção e na razão, na análise e no sentir, sempre acompanhando a "minha" Ferrari, cuja história me encanta e, até certo ponto, me move. Continua a ser uma das mais incríveis histórias do desporto automóvel, ainda mágica, num mundo empresarial e de gestão cada vez mais cinzento. Também aqui a Fórmula 1, apesar das dificuldades e das políticas, emerge como verdadeiramente moderna e inovadora, também me encantando por isso, assim como todo o desporto automóvel de ponta.

E foi assim que no domingo, assisti de forma muito especial ao Grande Prémio do Bahrein...que prova incrível de Sebastian Vettel e da "minha" Ferrari. Quase 40 voltas com pneus macios não é, em termos de estratégia e de desempenho, para todos desenharem e interpretarem. Nestas coisas igualmente se desenha o limite, que também me atrai especialnente no desporto automóvel. Mas, porque o erro faz parte da vida, e mesmo as organizações mais excelsas são, na verdade, compostas por humanos, fica o erro da "minha" Ferrari no pit lane, custando uma grave fratura a um dos mecânicos. Uma desatenção que, a este nível, sempre se paga caro e que, a este nível, com toda a certeza será profundamente analisada até à exaustão.

Quase não senti o tempo passar, de tão devagar que passou...Forza Rossa, I grandi campioni non muoiono mai!

Torga reeditado

[caption id="attachment_715" align="alignnone" width="534"]27540824_10155986927419336_1127598967190005054_n Crédito: Edições D. Quixote[/caption]

Uma reedição da obra de Miguel Torga é sempre algo que destaco. Porque Torga é uma paixão antiga, quase paradoxal na minha vida. Existe na sua austeridade (um atributo de personalidade que em mim não encontro), uma força que alimenta a vitalidade do seu pensamento, que se mantém simples, direto, e sem filtros, evocando a visão do homem enquanto povo, do povo enquanto país...e do país que daí resulta, em retratos mais ou menos positivos, mas sempre com o sentimento de quem nunca pretendeu ser mais do que um homem do povo, entre o povo. Um pensamento despretencioso, e, por isso, cada vez mais raro nos dias que correm, mas igualmente cada vez mais necessário. Um grande bem haja às Edições D. Quixote, por esta iniciativa.